quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Vietnam: de Rambo a Ho Chi Minh
Nossa segunda viagem, desde que aqui desembarcamos, foi ao Vietnam. Algumas coisas nos fizeram optar por este país, tais como a curta distancia (apenas 2h30 de voo) e a curiosidade gerada pela enxurrada de filmes sobre a Guerra do Vietnam (que lá fomos descobrir se chamar Guerra Americana).
Pra ser sincero, esperávamos apenas e tão somente resquícios de uma guerra sangrenta e famosa por ter sido a única derrota americana em combates internacionais. Passamos por três cidades e realmente o país ainda respira a guerra. Todavia, além da guerra (contado sob uma perspectiva diferente), encontramos mais de 2.500 anos de história, uma beleza natural fantástica, grande infra estrutura turística, um povo incrivelmente simpático, uma das melhores culinárias que já experimentamos e um país moderno, ainda que “socialista”.
Durante quase mil anos, o Vietnam foi dominada pela China, até obter sua independência em 938. Outros quase mil anos se passaram até que o Vietnam fosse ocupado novamente, dessa vez pela França, em 1858; os franceses ficaram até 1940, quando os japoneses ocuparam o país, permanecendo até 1945. Quando tudo parecia se “acalmar” e o país parecia unido, uma guerra civil dividiu o território em dois em 1954, o Vietnam do Norte (comunista) e o Vietnam do Sul (capitalista). Os EUA gradualmente aumentaram sua presença militar no sul, até que atingissem praticamente 600 mil homens. Declararam guerra aos vietcongues com o pretexto de um falso ataque a um submarino ameriano. Era a Guerra do Vietnam, que exterminou cerca de 3 milhões de civis vietnamitas. A derrota americana e sua consequente saída do Vietnam levaram à unificação do país em 1976, sob a tutela socialista de Ho Chi Minh. Saigon, a capital do Vietnam do Sul, passa a se chamar Ho Chi Minh, e apesar de ser a maior cidade vietnamita não se torna a capital do novo país, posto exercido por Hanoi (capital até então do Vietnam do Norte).
Aqui vem a primeira quebra de paradigma de nossa viagem. A trilha sonora escolhida para a aventura foi, sem titubeação, Saigon, de Emilio Santigado. Cantamos essa musica diariamente, pelo menos 17 vezes por dia. Porem, ao dizer “Saigon” tínhamos que substituir por “Ho Chi Minh”!! (não fica tão legal, mas a palavra Saigon ainda existe verbalmente).
Outra quebra de paradigma foi perceber que Silva não é tão comum quanto pensamos. O sobrenome Neguyen é o nome de família de 60% dos vietnamitas. E, pasmem, é o 7º sobrenome mais comum na Austrália (o segundo em Melbourne). Fica um pouco difícil entender a geográfica da cidade se quase todas as ruas se chamam Neguyen alguma coisa.
Bom, viajamos de Vietnam Airlines, que é uma boa companhia aérea. Nada de antigos Antonovs; a Vietnam Airlines conta com modernos Airbus. (somente em vôos locais, pois o trecho internacional o avião era bem velhinho). Pousamos em Ho Chi Minh (Saigon) depois de 2h20 de voo e fomos para o terminal domestico pegar o voo para Da Nang, terceira maior cidade do país, localizada ao lado de Ha Noi, cidade histórica e cheia de resorts. Ficamos milionários na mesma hora ao sacar 100 dólares americanos na moeda local, que significam VND 2 milhoes (dois milhões de DONG).
O terceiro paradigma foi então quebrado. Os hotéis e resorts do Vietnam são fantásticos. Não há no Brasil instalações e serviços de tão boa qualidade como no Vietnam. Na hora de comermos, estávamos na expectativa, pois apesar de gostarmos de comida indiana, tailandesa e chinesa, elas cansam um pouco, pois são apimentadas e quase sempre com o mesmo tempero / gosto. Pra nossa surpresa, a comida vietnamita é completamente diferente. Eles usam os “5 spices”, uma tradição milenar de combinar especiarias que dá um sabor muito particular, meio adocicado e saborosíssimo. Usam muita vagem e frutas tropicais como manga e coco. Todas as comidas foram deliciosas, TODAS, sem exceção, e por conta disso criamos nosso novo ranking das 3 melhores gastronomias do mundo: brasileira, italiana e vietnamita (a japonesa não conta já que eles não cozinham os alimentos, hehehe).
Para mim, Grazi (antes era o Glauco no comando), um momento mágico que jamais esquecerei foi quando tínhamos acabado de comprar uma vela colorida, que jogamos no rio para colorir ainda mais o festival da lua-cheia repleto de lanternas, e, perguntando onde era nosso restaurante, uma mãe pediu à filha que nos acompanhasse. Então, uma menina linda, de 10 anos, me pegou pela mão e me guiou no meio da multidão de turistas e locais que celebravam o festival. Ela me levou até o nosso restaurante, com um sorriso gigante no rosto, me deu um abraço e sumiu. E segundos após entrarmos no restaurante a chuva despencou.
A viagem foi toda mágica, o hotel era absurdo, fizemos massagem, curtimos piscina (nos intervalos das chuvas) e música vietnamita. Este foi o primeiro país de regime socialista que a Grazi visitou, e, obviamente foram inúmeras conversas e questionamentos aos locais. Aparentemente o pessoal do sul não gosta muito do regime não, não sei o que pensam os do norte, que foram os vencedores, mas a cidade é extremamente limpa, não há nenhuma mendicância e nem miséria. Há sim muita propaganda do governo e muitos cartazes com o rosto de Ho Chi Minh, a exemplo do que acontece com Che, Camilo e Fidel em Cuba.
Quando chegamos no “nosso apartamento, um pedaço de Saigon”, o Glauco me “disse adeus no espelho com batom”. E rumamos ao turismo em tempo recorde (só tínhamos a tarde e noite). Difícil tarefa, pois além das muitas coisas pra ver, Ho Chi Minh é cheia de cafés bem legais e charmosos, que são bem atraentes. Pra mim, então, que adoro café... (agora é o Glauco novamente, óbvio!) O café vietnamita é muito bom e um orgulho nacional. Outra coisa que o Vietnam tem muito é moto. Não grandes e potentes, mas aquelas pequenas, scooters, mobiletes (sim, mobiletes), motinhos 125cc... É impressionante o tanto de motinhos. Elas estão em todos os lugares, andam nas calçadas, pela contra-mão. Bom, não deu para entrarmos na Notre Dame, cuja fachada é maravilhosa, pois estava fechada pra almoço. Fomos então ao Palácio da Unificação. Na entrada, dois tanques vietcongues que invadiram o Palácio decretando o fim da guerra e um helicóptero do mesmo modelo usado num bombardeio ao Palácio.
De lá, depois de esperar quase uma hora a chuva passar, seguimos para o Museu da Guerra, que é basicamente dividido em três partes: 1) manifestações internacionais contrárias à guerra (documentos, cartazes, fotos e demais materiais de muuuuitos países ao redor do mundo – não vimos nada do Brasil – contrários à guerra); 2) a guerra, sua crueldade e suas consequências (extermínios em massa, massacre de crianças e mulheres, torturas, uso de armas químicas), bem diferentes das descritas nos filmes de Rambo e Bradock; 3) a reconstrução do Vietnam, desde a infra-estrutura até a moral e espirito nacionalista do país.
As cenas foram muito fortes, especialmente na parte referente às armas químicas – agente laranja. São cenas que nem o pior dos filmes de terror exibiria. Claro que deve ter havido tortura por parte dos vietnamitas do norte. É claro que deve ter havido exagero por parte dos comunistas... mas isso ficou restrito aos campos de batalhas e aos soldados. Já os americanos usaram e abusaram de crueldade e armas químicas contra civis, fossem crianças, velhos e mulheres. É impossível sair do museu sem pensar, sem refletir, sem desejar que isso não tivesse acontecido. Saimos de lá e ficamos andando meio a esmo, até voltarmos à normalidade. Passeamos por umas ruas no centro com muitos bares, cafés, galerias e lojas.
À noite jantamos novamente uma comida fantástica e visitamos outro ponto muito legal, que deve ser visitado, que é o bar Saigon Saigon, que fica no hotel Caravelle, tradicional hotel da cidade. É um bar bastante característico. Que serviu de posto de comando para americanos e jornalista que cobriam a guerra.
Em síntese, apesar da destruição, das guerras, das ocupações, dos massacres (pra se ter uma ideia, durante a ocupação japonesa, fora exterminados mais de 10% da população vietnamita por fome) e da ditadura socialista instalada, o país é pungente, as pessoas felizes, as coisas organizadas, bem cuidadas. Vale MUITO A PENA conhecer o Vietnam, por incrível que pareça!!!
terça-feira, 25 de setembro de 2012
A surpreendente Macau
Macau, ao lado de Hong Kong e Taiwan, é uma das três regiões “independentes” que a China tem, sendo Macau e Hong Kong regiões administrativas especiais e Taiwan um caso controverso de política internacional. Enquanto Hong Kong foi ocupada e administrada pelos ingleses entre a primeira guerra do ópio, em 1839, e 1997, Macau foi ocupada pelos Portugueses no século XVI, sendo devolvida à China apenas em 1999. Taiwan não se aliou à China comunista de Mao em 1949 e declarou sua independência, o que não foi e não é reconhecido pela China. Na oportunidade, os EUA se aproximaram de Taiwan, dando suporte ´humanitário´, politico, financeiro e, é logico, militar.
Desde que chegamos à HK queríamos ir a Macau, que fica a uma hora de ferry. Porém, por ser tão perto e tão cômodo ir pra lá, acabou não se tornando uma prioridade. Na última sexta, descobrimos que sábado (22/9) seria realizada a ultima etapa de um campeonato de fogos de artificio entre países. O torneio conta com 10 países, sendo que 2 países se apresentam a cada sábado durante 5 sábados. Essa disputa ocorre a cada dois anos. Ou seja, era algo espetacular: Macau; fogos de artifício, China... enfim, decidimos de uma hora pra outra ir.
A viagem para Macau era cercada de dúvidas e ansiedade. De um lado ouvíamos que o idioma português e as tradições portuguesas ainda eram fortes; de outro, que ninguém nem sabia onde ficava Portugal. De um lado, queríamos ver as construções centenárias (e europeias) em plena China; mas por outro queríamos ver a modernidade e grandiosidade dos cassinos (sim, Macau tem cassinos. Muitos cassinos. Maiores e mais luxuosos que em Las Vegas. Na verdade, em 2011, Macau ultrapassou Las Vegas como o maior destino e o maior movimento financeiro em cassinos).
A viagem começou com algo inusitado, o qual apenas fomos nos dar conta no sábado: todas as viagens a partir de Hong Kong são viagens internacionais. Sim, toda e qualquer viagem que se faz em Hong Kong deve-se apresentar passaporte, passar na alfandega, e tudo o mais que uma viagem internacional requer. Ainda bem que nos atentamos para isso pouco após sairmos de casa, pois quando a Grazi mostrou preocupação por ter esquecido o seu Octopus card (aquele cartão com o qual você faz tudo aqui em HK, desde comprar no McDonalds até entrar emportarias de prédios, passando por metro, ônibus, supermercado, etc) é que fui perguntar se ela estava levando passaporte. E a resposta? Não, claro que não. Algo tão próximo e tão corriqueiro não deveria requerer passaporte. De qualquer forma, voltamos até em casa e pegamos os passaportes. Para a nossa sorte!
A linha principal de ferry HK – Macau tem barcos saindo praticamente de meia em meia hora, começando as 7h e indo até meia noite, mas om alguns horários na madrugada. Fomos na duvida do que encontrar. O plano era ir e voltar no mesmo dia, mas caso nos cansássemos muito ou se não existisse horário de ferry na madrugada, poderíamos dormir por la.
Ao nos aproximar de Macau já podemos ver as varias pontes que ligam as duas ilhas que formam a região e alguns prédios que pareciam cassinos. No desembarque, ao chegarmos na alfandega, a primeira surpresa: tudo era escrito em Contones e Portugues!! Hong Kong e Macau são de uma região da China chamada Cantom, de onde vem o idioma cantonês, que é diferente do idioma falado no restante da China, o mandarim.
É uma sensação muito gostosa estar no meio da Asia e poder ler todas as placas no seu idioma nativo. Entendi melhor como se sentem americanos e ingleses quando visitam outros países (quase todos) e tudo aparece no seu idioma. É uma sensação de poder! Diferente de quando estamos em Portugal, por exemplo, porque lá só se fala português...
Tivemos que tomar uma decisão: fazer turismo pela cidade e correr o riso de perder os fogos, ou ir par a “região” dos fogos de artificio, passar em algum cassino. Optamos pela segunda ideia, pois não tínhamos muito tempo antes de escurecer e havíamos ido para ver os fogos.
Foi então que descobrimos a primeira grande característica de Macau: há uma grande deficiência de taxi! Primeiramente, achamos que se tratava apenas de algo no porto, pois ficamos quase uma hora esperando taxi. Porem, ao longo do dia percebemos que todos os hotéis, cassinos e demais locais tinham filas enormes de taxis. O tempo todo. Sinistro pra gente, pois em HK o que mais tem é taxi. O tempo todo, em todos os lugares...
Os cassinos são fabulosos, monumentais. Passamos por alguns, como o The Venetian, Wynn, Grand Lisboa, Galaxy e Sand, que eram realmente obras de arte. Só não são mais sensacionais que a entrada triunfal da Grazi no The Venetian catando cavaco. Ela tropeçou no próprio pé, enroscou o salto nos laços do outro pé e saiu “trupicando”. Sensacional. As mesas de apostas, os caça-niqueis, as roletas, tudo... absurdamente lotados. Chineses, chineses e mais chineses por todos os lados, fumando, jogando, cuspindo (sim, eles cospem o tempo todo ou em lixos ou nos carpetes mesmo). Macau tem uma lei proibindo fumar em ambientes fechados, com exceção de... cassinos!
Dada a horam fomos para os fogos de artificio. A expectativa era grande. Mas o que vimos foi algo aquém do que imaginávamos. Sim, eram fogos bonitos, porem pra quem já viu fogos no Reveillon do Rio (ou mesmo no Reveillon de Bsb), a coisa foi bem pobre. Passada a primeira apresentação (21h) fomos procurar algo pra comer antes da outra (22h). Acabamos entrando num restaurante japonês muito bom e lá ficamos até as 23h, perdendo a outra apresentação (que não deve ter sido muuuuito melhor que a outra – isso é o que esperamos, rs).
Cansados, ainda tentamos perambular mais pelos cassinos, mas fomos vencidos, em especial eu, e decidimos ir até o porto. Pegamos o ferry das 1h30. Valeu o passeio, mas ficamos com o gosto de quero mais. Queremos voltar logo, dessa vez pra ver o lado português da China.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Expatriado
Estou a muito tempo sem escrever aqui por conta da correria do mestrado, mas gostaria de compartilhar nossa mudança de condição social. (Cobrem o glauco o post sobre Macau)
Todos os dias pela manhã em cada passarela ou calçada bem movimentada ficam umas 10 pessoas entregando jornais. Criei o hábito de todos os dias pegar o único jornal em inglês e lê-lo me equilibrando no metrô lotado, igual gente séria, trabalhadora. Nunca fui muito chegada a jornal (só lia caderno de cultura) mas estou aproveitando para me ambientar. A primeira grande diferença entre nossos jornais é que por aqui não existe nenhuma notícia de violência! Ninguém nunca matou ninguém, brigou em porta de bar, ou foi estuprada em alguma passarela no meio na noite. Aqui nada acontece de perigoso ou noticioso. Ah, e também não há nenhum acidente de carro. Morando em Brasília nos habituamos com acidentes TODOS os dias, mas aqui desde que chegamos não vimos nem soubemos de NENHUM! Logo, os jornais não tem muito o q falar mesmo. Geralmente falam sobre uma nova possível epidemia (a única coisa que realmente amedronta e assustas os hongkonguianos, além do aluguel, é claro), de políticos, famosos e notícias da Ásia.
Porém uma curiosidade me chamou a atenção. Sempre me intrigou o fato dos jornalistas creditarem todo o valor e a definição de um ser humano em função da sua profissão. Como nunca tive profissão muito bem definida, isso me incomodava muito. Se eu virasse notícia seria assim: "uma publicitaria de 27 anos..." ou "uma bailarina de 27 anos... " ou "uma jovem produtora..." etc, etc, etc. Mas o fato é que por aqui ninguém é definido pela profissão, esta é uma segunda etapa. Mas primeiramente você é a sua PÁTRIA! Em todas as matérias a primeira informação é a nacionalidade, até porque aqui tem de tudo! Essa é a característica mais importante de uma pessoa! Não importa sua família, sua religião, crenças, ideologias e estilo de vida, o q conta é o seu país. Por aqui, pela Ásia, isso faz sentido pra alguns países. Geralmente se vc é da Mongólia você compartia do mesmo tipo de criação que seus compatriotas, mas para países como Brasil, isso é muito complicado. Na verdade generalizações sempre perdem os detalhes, mas no momento eu sou, antes de qualquer outra coisa, brasileira! E para aqueles que não têm nenhuma referência do Brasil ( como meus colegas de classe), este país é povoado com pessoas coloridas, que falam o tempo inteiro, falam da vida pessoal, soltam um ou outro palavrão, são muito engraçadas e têm o cabelo naturalmente anelado! (Eles custaram a acreditar q eu acordo com o cabelo já cacheado, meio medusa, mas longe de ser liso!)
Todos os dias pela manhã em cada passarela ou calçada bem movimentada ficam umas 10 pessoas entregando jornais. Criei o hábito de todos os dias pegar o único jornal em inglês e lê-lo me equilibrando no metrô lotado, igual gente séria, trabalhadora. Nunca fui muito chegada a jornal (só lia caderno de cultura) mas estou aproveitando para me ambientar. A primeira grande diferença entre nossos jornais é que por aqui não existe nenhuma notícia de violência! Ninguém nunca matou ninguém, brigou em porta de bar, ou foi estuprada em alguma passarela no meio na noite. Aqui nada acontece de perigoso ou noticioso. Ah, e também não há nenhum acidente de carro. Morando em Brasília nos habituamos com acidentes TODOS os dias, mas aqui desde que chegamos não vimos nem soubemos de NENHUM! Logo, os jornais não tem muito o q falar mesmo. Geralmente falam sobre uma nova possível epidemia (a única coisa que realmente amedronta e assustas os hongkonguianos, além do aluguel, é claro), de políticos, famosos e notícias da Ásia.
Porém uma curiosidade me chamou a atenção. Sempre me intrigou o fato dos jornalistas creditarem todo o valor e a definição de um ser humano em função da sua profissão. Como nunca tive profissão muito bem definida, isso me incomodava muito. Se eu virasse notícia seria assim: "uma publicitaria de 27 anos..." ou "uma bailarina de 27 anos... " ou "uma jovem produtora..." etc, etc, etc. Mas o fato é que por aqui ninguém é definido pela profissão, esta é uma segunda etapa. Mas primeiramente você é a sua PÁTRIA! Em todas as matérias a primeira informação é a nacionalidade, até porque aqui tem de tudo! Essa é a característica mais importante de uma pessoa! Não importa sua família, sua religião, crenças, ideologias e estilo de vida, o q conta é o seu país. Por aqui, pela Ásia, isso faz sentido pra alguns países. Geralmente se vc é da Mongólia você compartia do mesmo tipo de criação que seus compatriotas, mas para países como Brasil, isso é muito complicado. Na verdade generalizações sempre perdem os detalhes, mas no momento eu sou, antes de qualquer outra coisa, brasileira! E para aqueles que não têm nenhuma referência do Brasil ( como meus colegas de classe), este país é povoado com pessoas coloridas, que falam o tempo inteiro, falam da vida pessoal, soltam um ou outro palavrão, são muito engraçadas e têm o cabelo naturalmente anelado! (Eles custaram a acreditar q eu acordo com o cabelo já cacheado, meio medusa, mas longe de ser liso!)
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Água quente
A água quente... sim, ela é absoluta por aqui, a rainha do pedaço, onipresente e multifuncional! Em todos os lugares tem água quente, e não só no chuveiro ou na pia da cozinha (e como eu vivia antes sem água quente na pia da cozinha???? Ah, só era possível porque eu não lavava louça). A água quente está presente também em toda e qualquer refeição, mesmo com este calor, nas bolsas das pessoas e também, é claro, nos bebedouros! Ela é o que torna o chá de toda hora possível! Pensávamos que os ingleses bebiam muito chá, mas eles se restringem ao breakfast e ao "tea time", aqui é toda hora! Todo lugar, mesmo com 38 graus sob umidade extrema! Aqui o povo não só bebe chá o tempo todo como levam a sobra do chá, servido sem miséria e gratuitamente nos restaurantes. Eles tiram de dentro da bolsa sua garrafinha térmica e enchem com o chazinho. Achamos muito engraçado a água quente nos bebedouros, agora já parece realmente eficiente, já que estamos aderindo à moda do chá! Pra resumir o espirito da obsessão por água quente lá vai mais uma anedota: o Glauco estava na farmácia, comprando nossa pastilha de todo dia de vitamina C e a atendente falou: "olha, realmente este produto é muito bom, mas não é pra diluir na água quente, viu?" ó Deus, porque tomar pastilha borbulhante sabor laranja com água quente?
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Comidinha nova
Semana passada fomos comprar nossa tv ( sensacional) e optamos por jantar em um dos 3 andares de restaurantes de lá. Na duvida deixamos a sorte agir e entramos no primeiro que tinha uma cara boazinha. Logo nos deparamos com um aquário com diversos frutos do mar e peixinhos laranjas lindos para serem pescados e servidos na hora! Um molusco/braço gigante assustou um pouco mas seguimos a longa jornada até uma mesinha bem reservada ao fundo do grande salão. As pessoas em volta comiam coisas diferentes como um balde de salada, carne crua e trouxinhas. Havia um buraco preto redondo no centro da nossa mesa que nos intrigou mas não só perseveramos como tb, munidos de uma repentina coragem, pedimos o da casa! E assim o garçom super solícito montou nosso pedido. Chegou o balde de coisas verdes, o bifao, uma cestinha com trouxa congelada, uma peneirinha e dois chopsticks pra cada um. Além de uma panela dividida ao meio com uma água branca e outra turva. O q fazer com toda aquela informação? Pq deus dois palitinhos de tamanhos diferentes? Ah, e antes disso ele veio com uns potinhos cheios de gororobas pra jogar no nosso shoyo. Estávamos absolutamente perdidos sobre como começar a comer! As coisas foram se encaixando, fomos criando coragem e começamos a jogar coisas dentro da panela fervente. Depois catávamos com a peneira, temperávamos com nossa molinho delícia e queimávamos a boca cada vez que tentávamos ingerir. Mas a experiência e a refeição foram maravilhosas! Quem vier por aqui vai poder experimentar também!
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Lar doce lar aí vamos nós!
Está chegando o tão esperado momento em que vamos pra nossa casinha! Desta vez até um pouco maior q a casícula anterior. O nosso ninho de amor vai ter a nossa cara com um toque de Ásia que não poderia faltar! Porém, o mais importante é que poderemos, enfim, desfazer as malas. Para quem acompanhou nossa jornada somamos exatos 3 meses de hotel! O que, obviamente, não é algo ruim, mas como sempre pensávamos que a partida seria logo, não desfazemos nenhuma mala! Aqui a mesma coisa, já ficamos peritos nessa bagunça! Mas sábado isso terá fim! Que Deus nos abençoe, cuide da nossa casa e nos afaste de todo o mal e de roupas dentro de mala, amem!
O melhor do melhor por aqui
No final de semana fizemos dois passeios inesquecíveis! Eles representam o que acreditamos ser as melhores atrações de Hong Kong. A visita ao Buda Gigante e a um jardim no meio de Kowloon. Eu realmente não posso falar muito sobre estes passeios porque sempre que alguém vier nos visitar tenho certeza que iremos lá. Então não quero estragar a experiência de ninguém, mas os que infelizmente não virão merecem compartilhar a vista.
O passeio ao Buda Gigante é um passeio para o dia todo, pois além de tudo que envolve o lugar onde está o Buda, ao lado da estação do metrô fica um bom outlet, e com certeza o passeio termina com as compras! (assim como TUDO por aqui, que se resume em compras!)
Depois da aventura, que é andar em um dos maiores teleféricos do mundo com um chão de vidro, chegamos a uma vilazinha construída ao redor de um mosteiro lindo! Já era meio dia e decidimos parar para comer. Nossa mesa ficou simplesmente colada a um palquinho no meio da praça onde logo mais seria apresentado um show sensacional de kung fu. Resultado: as pessoas estravam debaixo do nosso guarda-sol e sentavam nas cadeiras sobressalentes, assim, sem mais nem menos e sem uma palavra (isso te lembra alguma coisa Deia?).
250 degraus ladeira arriba chegamos ao Buda Gigante com seus discípulos oferecendo mimos. Um cenário belíssimo e, tirando o calor, um momento muito especial. Foi bem nos últimos degraus que ouvimos pela primeira vez palavras proferidas na nossa língua mater. Confesso que nem foi tão legal assim, pois tirou nossa liberdade de falar besteira o quanto quiséssemos. Comprei meu chapéu chinês super mega descolado e tive que ficar carregando ele pelo final de todo o caminho, além da parte do outlet completamente lotado! Mas fora isso voltamos com a certeza que percorreremos várias vezes este caminho, e a próxima será na base da caminhada mesmo! Haja!!!!
Domingão achamos um jardim maravilhoso no centro de Kowloon (a parte continental de Hong Kong). Lindo, com um mosteiro absurdamente lindo! A maioria das plantas eram bonsais, grandes, lindos e diversos. Almoçamos no restaurante interno, tradicionalmente vegetariano (sem sal, carne de qualquer espécie e sem gordura!) que alegria! Tenho certeza que nosso paladar vai mudar muito no quesito sal, realmente o ingerimos muito! Mas lá, cercada daquele arroz véio grudado sem gosto só pensava no temperinho caseiro de sal e alho! O jardim é extremamente bem conservado! Óbvio, não se pode fazer nada, nem caminhar pelos caminhos realmente interessantes, nem subir num banquinho pra tirar foto, nem comer ao ar livre, nem pisar na soleira de madeira das portas (nem perguntem como descobrimos estas proibições). Um presentinho de Deus foi poder ver a rara, sagrada e tão famosa flor de Lótus.
Claro que um passeio tão espiritual e sagrado como esse acabaria no shopping (como tudo e sempre aqui...)
sábado, 25 de agosto de 2012
Transporte público
Diferentemente do que muita gente imagina (inclusive nós imaginávamos), o transporte público de Hong Kong é formado por veículos básicos e velhos, e não aqueles trens super modernos, que flutuam no ar, ônibus com design futuristas cheios de mequetrefes e táxis em carroceria de Porsches ou Ferraris.
Porém, nessa primeira semana que estamos aqui, eles parecem extremamente eficientes, tanto em serviço e pontualidade, quanto em limpeza e conservação.
O metro é relativamente pequeno. Relativamente porque se comparado aos EUA ou Inglaterra ou França é pequeníssimo. Todavia, se comparado ao Brasil, é grande. Os trens são bem conservados, limpos, arrumados e bem ventilados. As estações são espaçosas, cheias de informações e práticas. O preço é pago pela distância percorrida e não por trecho. O usuário passa o cartão antes de entrar na estação... quando sai passa novamente e aí sim é debitado o valor correspondente à distância percorrida. Entretanto, o valor é baixo se comparado ao Brasil. Hoje entramos numa estação e fomos até o final da linha, em outra ilha fora de HK. Mais de 30 minutos de metro e pagamos R$ 5,10. Em geral, para andar dentro da ilha paga-se R$ 1,50 ou R$ 2,00.
Os ônibus tem dois andares. São super pontuais. Assim como nos trens, não se pode comer e beber dentro dos veículos, o que ajuda sua limpeza. Há muitos ônibus, mas o sistema é bem organizado. São muitas paradas; eles não ficam muito cheios e por serem dois andares, dificilmente tem gente andando de pé. O preço varia, mas tabém é baixo, custando cerca de R$ 1,50.
Os taxis são uma praga, assim como no Rio de Janeiro (outra coisa que aproxima muito HK e Rio). São vermelho e branco e estão em todos os lugares. A frota é formada por Toyotas bem antigos, mas sempre muito conservados e limpos. Os motoristas em geral falam mal inglês, mas a gente sempre acha uma forma de se entender, mesmo porque são simpáticos e prestativos. As corridas são baratas, talvez um preço mais ou menos como o Rio de Janeiro, talvez um pouco mais barato, e bem longe dos preços de SP, Bsb, POA... dá pra usar sempre sem perder dinheiro.
O ferri é o transporte diário de muitas pessoas que vivem nas ilhas ao redor ou na parte continental (kowloon e new territories), mas é bem antigo pequeno e antiquado se comparado com o do Rio. Os marinheiros se vestem como o Popay e as portas são içadas a mão mesmo, balança muito e é muito pequeno. Não sabemos se são todos assim ou se demos azar, mas não vimos nenhuma balsa grande circular pelo harbour.
Outra forma de transporte público muito interessante são as passarelas (não sei se são transporte público ou atração turística ou utilidade pública, mas ajudam muito o transporte). Praticamente todo o centro de HK é interligado por passarelas suspensas, que atravessam avenidas, entram em lojas, shoppings, bancos... algumas, as mais íngremes, são dotadas de esteira e escadas rolantes para facilitar. Essas passarelas são muito uteis e praticas. Aceleram a mobilidade dos pedestres, esvaziam as ruas, geram mais segurança nas vias, são cobertas (o que para o calor e clima chuvoso de HK é fundamental).
Além disso, apesar do calor, é bem gostoso andar a pé. A cidade é relativamente pequena e há muitas lojas, cafés, restaurantes, pessoas e coisas para ver.
Bom, o mais importante de tudo, se tratando de transporte coletivo é ter em mãos o Octopus card! Diferente do bilhete único em São Paulo, este, além de ônibus, metrô, baldeações e conexões, também é aceito no ferri, na portaria de prédios empresariais, em farmácias, lojas de conveniência, supermercado, resumindo, ele faz de tudo!
Para finalizar só um gostinho desta forma de transporte que experimentamos este sábado...
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