segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Expatriado

Estou a muito tempo sem escrever aqui por conta da correria do mestrado, mas gostaria de compartilhar nossa mudança de condição social. (Cobrem o glauco o post sobre Macau)

Todos os dias pela manhã em cada passarela ou calçada bem movimentada ficam umas 10 pessoas entregando jornais. Criei o hábito de todos os dias pegar o único jornal em inglês e lê-lo me equilibrando no metrô lotado, igual gente séria, trabalhadora. Nunca fui muito chegada a jornal (só lia caderno de cultura) mas estou aproveitando para me ambientar. A primeira grande diferença entre nossos jornais é que por aqui não existe nenhuma notícia de violência! Ninguém nunca matou ninguém, brigou em porta de bar, ou foi estuprada em alguma passarela no meio na noite. Aqui nada acontece de perigoso ou noticioso. Ah, e também não há nenhum acidente de carro. Morando em Brasília nos habituamos com acidentes TODOS os dias, mas aqui desde que chegamos não vimos nem soubemos de NENHUM! Logo, os jornais não tem muito o q falar mesmo. Geralmente falam sobre uma nova possível epidemia (a única coisa que realmente amedronta e assustas os hongkonguianos, além do aluguel, é claro), de políticos, famosos e notícias da Ásia.

Porém uma curiosidade me chamou a atenção. Sempre me intrigou o fato dos jornalistas creditarem todo o valor e a definição de um ser humano em função da sua profissão. Como nunca tive profissão muito bem definida, isso me incomodava muito. Se eu virasse notícia seria assim: "uma publicitaria de 27 anos..." ou "uma bailarina de 27 anos... " ou "uma jovem produtora..." etc, etc, etc. Mas o fato é que por aqui ninguém é definido pela profissão, esta é uma segunda etapa. Mas primeiramente você é a sua PÁTRIA! Em todas as matérias a primeira informação é a nacionalidade, até porque aqui tem de tudo! Essa é a característica mais importante de uma pessoa! Não importa sua família, sua religião, crenças, ideologias e estilo de vida, o q conta é o seu país. Por aqui, pela Ásia, isso faz sentido pra alguns países. Geralmente se vc é da Mongólia você compartia do mesmo tipo de criação que seus compatriotas, mas para países como Brasil, isso é muito complicado. Na verdade generalizações sempre perdem os detalhes, mas no momento eu sou, antes de qualquer outra coisa, brasileira! E para aqueles que não têm nenhuma referência do Brasil ( como meus colegas de classe), este país é povoado com pessoas coloridas, que falam o tempo inteiro, falam da vida pessoal, soltam um ou outro palavrão, são muito engraçadas e têm o cabelo naturalmente anelado! (Eles custaram a acreditar q eu acordo com o cabelo já cacheado, meio medusa, mas longe de ser liso!)

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