terça-feira, 25 de setembro de 2012

A surpreendente Macau

Macau, ao lado de Hong Kong e Taiwan, é uma das três regiões “independentes” que a China tem, sendo Macau e Hong Kong regiões administrativas especiais e Taiwan um caso controverso de política internacional. Enquanto Hong Kong foi ocupada e administrada pelos ingleses entre a primeira guerra do ópio, em 1839, e 1997, Macau foi ocupada pelos Portugueses no século XVI, sendo devolvida à China apenas em 1999. Taiwan não se aliou à China comunista de Mao em 1949 e declarou sua independência, o que não foi e não é reconhecido pela China. Na oportunidade, os EUA se aproximaram de Taiwan, dando suporte ´humanitário´, politico, financeiro e, é logico, militar.
Desde que chegamos à HK queríamos ir a Macau, que fica a uma hora de ferry. Porém, por ser tão perto e tão cômodo ir pra lá, acabou não se tornando uma prioridade. Na última sexta, descobrimos que sábado (22/9) seria realizada a ultima etapa de um campeonato de fogos de artificio entre países. O torneio conta com 10 países, sendo que 2 países se apresentam a cada sábado durante 5 sábados. Essa disputa ocorre a cada dois anos. Ou seja, era algo espetacular: Macau; fogos de artifício, China... enfim, decidimos de uma hora pra outra ir. A viagem para Macau era cercada de dúvidas e ansiedade. De um lado ouvíamos que o idioma português e as tradições portuguesas ainda eram fortes; de outro, que ninguém nem sabia onde ficava Portugal. De um lado, queríamos ver as construções centenárias (e europeias) em plena China; mas por outro queríamos ver a modernidade e grandiosidade dos cassinos (sim, Macau tem cassinos. Muitos cassinos. Maiores e mais luxuosos que em Las Vegas. Na verdade, em 2011, Macau ultrapassou Las Vegas como o maior destino e o maior movimento financeiro em cassinos). A viagem começou com algo inusitado, o qual apenas fomos nos dar conta no sábado: todas as viagens a partir de Hong Kong são viagens internacionais. Sim, toda e qualquer viagem que se faz em Hong Kong deve-se apresentar passaporte, passar na alfandega, e tudo o mais que uma viagem internacional requer. Ainda bem que nos atentamos para isso pouco após sairmos de casa, pois quando a Grazi mostrou preocupação por ter esquecido o seu Octopus card (aquele cartão com o qual você faz tudo aqui em HK, desde comprar no McDonalds até entrar emportarias de prédios, passando por metro, ônibus, supermercado, etc) é que fui perguntar se ela estava levando passaporte. E a resposta? Não, claro que não. Algo tão próximo e tão corriqueiro não deveria requerer passaporte. De qualquer forma, voltamos até em casa e pegamos os passaportes. Para a nossa sorte!
A linha principal de ferry HK – Macau tem barcos saindo praticamente de meia em meia hora, começando as 7h e indo até meia noite, mas om alguns horários na madrugada. Fomos na duvida do que encontrar. O plano era ir e voltar no mesmo dia, mas caso nos cansássemos muito ou se não existisse horário de ferry na madrugada, poderíamos dormir por la. Ao nos aproximar de Macau já podemos ver as varias pontes que ligam as duas ilhas que formam a região e alguns prédios que pareciam cassinos. No desembarque, ao chegarmos na alfandega, a primeira surpresa: tudo era escrito em Contones e Portugues!! Hong Kong e Macau são de uma região da China chamada Cantom, de onde vem o idioma cantonês, que é diferente do idioma falado no restante da China, o mandarim.
É uma sensação muito gostosa estar no meio da Asia e poder ler todas as placas no seu idioma nativo. Entendi melhor como se sentem americanos e ingleses quando visitam outros países (quase todos) e tudo aparece no seu idioma. É uma sensação de poder! Diferente de quando estamos em Portugal, por exemplo, porque lá só se fala português...
Tivemos que tomar uma decisão: fazer turismo pela cidade e correr o riso de perder os fogos, ou ir par a “região” dos fogos de artificio, passar em algum cassino. Optamos pela segunda ideia, pois não tínhamos muito tempo antes de escurecer e havíamos ido para ver os fogos. Foi então que descobrimos a primeira grande característica de Macau: há uma grande deficiência de taxi! Primeiramente, achamos que se tratava apenas de algo no porto, pois ficamos quase uma hora esperando taxi. Porem, ao longo do dia percebemos que todos os hotéis, cassinos e demais locais tinham filas enormes de taxis. O tempo todo. Sinistro pra gente, pois em HK o que mais tem é taxi. O tempo todo, em todos os lugares...
Os cassinos são fabulosos, monumentais. Passamos por alguns, como o The Venetian, Wynn, Grand Lisboa, Galaxy e Sand, que eram realmente obras de arte. Só não são mais sensacionais que a entrada triunfal da Grazi no The Venetian catando cavaco. Ela tropeçou no próprio pé, enroscou o salto nos laços do outro pé e saiu “trupicando”. Sensacional. As mesas de apostas, os caça-niqueis, as roletas, tudo... absurdamente lotados. Chineses, chineses e mais chineses por todos os lados, fumando, jogando, cuspindo (sim, eles cospem o tempo todo ou em lixos ou nos carpetes mesmo). Macau tem uma lei proibindo fumar em ambientes fechados, com exceção de... cassinos!
Dada a horam fomos para os fogos de artificio. A expectativa era grande. Mas o que vimos foi algo aquém do que imaginávamos. Sim, eram fogos bonitos, porem pra quem já viu fogos no Reveillon do Rio (ou mesmo no Reveillon de Bsb), a coisa foi bem pobre. Passada a primeira apresentação (21h) fomos procurar algo pra comer antes da outra (22h). Acabamos entrando num restaurante japonês muito bom e lá ficamos até as 23h, perdendo a outra apresentação (que não deve ter sido muuuuito melhor que a outra – isso é o que esperamos, rs).
Cansados, ainda tentamos perambular mais pelos cassinos, mas fomos vencidos, em especial eu, e decidimos ir até o porto. Pegamos o ferry das 1h30. Valeu o passeio, mas ficamos com o gosto de quero mais. Queremos voltar logo, dessa vez pra ver o lado português da China.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Expatriado

Estou a muito tempo sem escrever aqui por conta da correria do mestrado, mas gostaria de compartilhar nossa mudança de condição social. (Cobrem o glauco o post sobre Macau)

Todos os dias pela manhã em cada passarela ou calçada bem movimentada ficam umas 10 pessoas entregando jornais. Criei o hábito de todos os dias pegar o único jornal em inglês e lê-lo me equilibrando no metrô lotado, igual gente séria, trabalhadora. Nunca fui muito chegada a jornal (só lia caderno de cultura) mas estou aproveitando para me ambientar. A primeira grande diferença entre nossos jornais é que por aqui não existe nenhuma notícia de violência! Ninguém nunca matou ninguém, brigou em porta de bar, ou foi estuprada em alguma passarela no meio na noite. Aqui nada acontece de perigoso ou noticioso. Ah, e também não há nenhum acidente de carro. Morando em Brasília nos habituamos com acidentes TODOS os dias, mas aqui desde que chegamos não vimos nem soubemos de NENHUM! Logo, os jornais não tem muito o q falar mesmo. Geralmente falam sobre uma nova possível epidemia (a única coisa que realmente amedronta e assustas os hongkonguianos, além do aluguel, é claro), de políticos, famosos e notícias da Ásia.

Porém uma curiosidade me chamou a atenção. Sempre me intrigou o fato dos jornalistas creditarem todo o valor e a definição de um ser humano em função da sua profissão. Como nunca tive profissão muito bem definida, isso me incomodava muito. Se eu virasse notícia seria assim: "uma publicitaria de 27 anos..." ou "uma bailarina de 27 anos... " ou "uma jovem produtora..." etc, etc, etc. Mas o fato é que por aqui ninguém é definido pela profissão, esta é uma segunda etapa. Mas primeiramente você é a sua PÁTRIA! Em todas as matérias a primeira informação é a nacionalidade, até porque aqui tem de tudo! Essa é a característica mais importante de uma pessoa! Não importa sua família, sua religião, crenças, ideologias e estilo de vida, o q conta é o seu país. Por aqui, pela Ásia, isso faz sentido pra alguns países. Geralmente se vc é da Mongólia você compartia do mesmo tipo de criação que seus compatriotas, mas para países como Brasil, isso é muito complicado. Na verdade generalizações sempre perdem os detalhes, mas no momento eu sou, antes de qualquer outra coisa, brasileira! E para aqueles que não têm nenhuma referência do Brasil ( como meus colegas de classe), este país é povoado com pessoas coloridas, que falam o tempo inteiro, falam da vida pessoal, soltam um ou outro palavrão, são muito engraçadas e têm o cabelo naturalmente anelado! (Eles custaram a acreditar q eu acordo com o cabelo já cacheado, meio medusa, mas longe de ser liso!)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Água quente

A água quente... sim, ela é absoluta por aqui, a rainha do pedaço, onipresente e multifuncional! Em todos os lugares tem água quente, e não só no chuveiro ou na pia da cozinha (e como eu vivia antes sem água quente na pia da cozinha???? Ah, só era possível porque eu não lavava louça). A água quente está presente também em toda e qualquer refeição, mesmo com este calor, nas bolsas das pessoas e também, é claro, nos bebedouros! Ela é o que torna o chá de toda hora possível! Pensávamos que os ingleses bebiam muito chá, mas eles se restringem ao breakfast e ao "tea time", aqui é toda hora! Todo lugar, mesmo com 38 graus sob umidade extrema! Aqui o povo não só bebe chá o tempo todo como levam a sobra do chá, servido sem miséria e gratuitamente nos restaurantes. Eles tiram de dentro da bolsa sua garrafinha térmica e enchem com o chazinho. Achamos muito engraçado a água quente nos bebedouros, agora já parece realmente eficiente, já que estamos aderindo à moda do chá! Pra resumir o espirito da obsessão por água quente lá vai mais uma anedota: o Glauco estava na farmácia, comprando nossa pastilha de todo dia de vitamina C e a atendente falou: "olha, realmente este produto é muito bom, mas não é pra diluir na água quente, viu?" ó Deus, porque tomar pastilha borbulhante sabor laranja com água quente?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Comidinha nova

Semana passada fomos comprar nossa tv ( sensacional) e optamos por jantar em um dos 3 andares de restaurantes de lá. Na duvida deixamos a sorte agir e entramos no primeiro que tinha uma cara boazinha. Logo nos deparamos com um aquário com diversos frutos do mar e peixinhos laranjas lindos para serem pescados e servidos na hora! Um molusco/braço gigante assustou um pouco mas seguimos a longa jornada até uma mesinha bem reservada ao fundo do grande salão. As pessoas em volta comiam coisas diferentes como um balde de salada, carne crua e trouxinhas. Havia um buraco preto redondo no centro da nossa mesa que nos intrigou mas não só perseveramos como tb, munidos de uma repentina coragem, pedimos o da casa! E assim o garçom super solícito montou nosso pedido. Chegou o balde de coisas verdes, o bifao, uma cestinha com trouxa congelada, uma peneirinha e dois chopsticks pra cada um. Além de uma panela dividida ao meio com uma água branca e outra turva. O q fazer com toda aquela informação? Pq deus dois palitinhos de tamanhos diferentes? Ah, e antes disso ele veio com uns potinhos cheios de gororobas pra jogar no nosso shoyo. Estávamos absolutamente perdidos sobre como começar a comer! As coisas foram se encaixando, fomos criando coragem e começamos a jogar coisas dentro da panela fervente. Depois catávamos com a peneira, temperávamos com nossa molinho delícia e queimávamos a boca cada vez que tentávamos ingerir. Mas a experiência e a refeição foram maravilhosas! Quem vier por aqui vai poder experimentar também!