quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Vietnam: de Rambo a Ho Chi Minh

Nossa segunda viagem, desde que aqui desembarcamos, foi ao Vietnam. Algumas coisas nos fizeram optar por este país, tais como a curta distancia (apenas 2h30 de voo) e a curiosidade gerada pela enxurrada de filmes sobre a Guerra do Vietnam (que lá fomos descobrir se chamar Guerra Americana).
Pra ser sincero, esperávamos apenas e tão somente resquícios de uma guerra sangrenta e famosa por ter sido a única derrota americana em combates internacionais. Passamos por três cidades e realmente o país ainda respira a guerra. Todavia, além da guerra (contado sob uma perspectiva diferente), encontramos mais de 2.500 anos de história, uma beleza natural fantástica, grande infra estrutura turística, um povo incrivelmente simpático, uma das melhores culinárias que já experimentamos e um país moderno, ainda que “socialista”.
Durante quase mil anos, o Vietnam foi dominada pela China, até obter sua independência em 938. Outros quase mil anos se passaram até que o Vietnam fosse ocupado novamente, dessa vez pela França, em 1858; os franceses ficaram até 1940, quando os japoneses ocuparam o país, permanecendo até 1945. Quando tudo parecia se “acalmar” e o país parecia unido, uma guerra civil dividiu o território em dois em 1954, o Vietnam do Norte (comunista) e o Vietnam do Sul (capitalista). Os EUA gradualmente aumentaram sua presença militar no sul, até que atingissem praticamente 600 mil homens. Declararam guerra aos vietcongues com o pretexto de um falso ataque a um submarino ameriano. Era a Guerra do Vietnam, que exterminou cerca de 3 milhões de civis vietnamitas. A derrota americana e sua consequente saída do Vietnam levaram à unificação do país em 1976, sob a tutela socialista de Ho Chi Minh. Saigon, a capital do Vietnam do Sul, passa a se chamar Ho Chi Minh, e apesar de ser a maior cidade vietnamita não se torna a capital do novo país, posto exercido por Hanoi (capital até então do Vietnam do Norte). Aqui vem a primeira quebra de paradigma de nossa viagem. A trilha sonora escolhida para a aventura foi, sem titubeação, Saigon, de Emilio Santigado. Cantamos essa musica diariamente, pelo menos 17 vezes por dia. Porem, ao dizer “Saigon” tínhamos que substituir por “Ho Chi Minh”!! (não fica tão legal, mas a palavra Saigon ainda existe verbalmente).
Outra quebra de paradigma foi perceber que Silva não é tão comum quanto pensamos. O sobrenome Neguyen é o nome de família de 60% dos vietnamitas. E, pasmem, é o 7º sobrenome mais comum na Austrália (o segundo em Melbourne). Fica um pouco difícil entender a geográfica da cidade se quase todas as ruas se chamam Neguyen alguma coisa. Bom, viajamos de Vietnam Airlines, que é uma boa companhia aérea. Nada de antigos Antonovs; a Vietnam Airlines conta com modernos Airbus. (somente em vôos locais, pois o trecho internacional o avião era bem velhinho). Pousamos em Ho Chi Minh (Saigon) depois de 2h20 de voo e fomos para o terminal domestico pegar o voo para Da Nang, terceira maior cidade do país, localizada ao lado de Ha Noi, cidade histórica e cheia de resorts. Ficamos milionários na mesma hora ao sacar 100 dólares americanos na moeda local, que significam VND 2 milhoes (dois milhões de DONG).
O terceiro paradigma foi então quebrado. Os hotéis e resorts do Vietnam são fantásticos. Não há no Brasil instalações e serviços de tão boa qualidade como no Vietnam. Na hora de comermos, estávamos na expectativa, pois apesar de gostarmos de comida indiana, tailandesa e chinesa, elas cansam um pouco, pois são apimentadas e quase sempre com o mesmo tempero / gosto. Pra nossa surpresa, a comida vietnamita é completamente diferente. Eles usam os “5 spices”, uma tradição milenar de combinar especiarias que dá um sabor muito particular, meio adocicado e saborosíssimo. Usam muita vagem e frutas tropicais como manga e coco. Todas as comidas foram deliciosas, TODAS, sem exceção, e por conta disso criamos nosso novo ranking das 3 melhores gastronomias do mundo: brasileira, italiana e vietnamita (a japonesa não conta já que eles não cozinham os alimentos, hehehe). Para mim, Grazi (antes era o Glauco no comando), um momento mágico que jamais esquecerei foi quando tínhamos acabado de comprar uma vela colorida, que jogamos no rio para colorir ainda mais o festival da lua-cheia repleto de lanternas, e, perguntando onde era nosso restaurante, uma mãe pediu à filha que nos acompanhasse. Então, uma menina linda, de 10 anos, me pegou pela mão e me guiou no meio da multidão de turistas e locais que celebravam o festival. Ela me levou até o nosso restaurante, com um sorriso gigante no rosto, me deu um abraço e sumiu. E segundos após entrarmos no restaurante a chuva despencou.
A viagem foi toda mágica, o hotel era absurdo, fizemos massagem, curtimos piscina (nos intervalos das chuvas) e música vietnamita. Este foi o primeiro país de regime socialista que a Grazi visitou, e, obviamente foram inúmeras conversas e questionamentos aos locais. Aparentemente o pessoal do sul não gosta muito do regime não, não sei o que pensam os do norte, que foram os vencedores, mas a cidade é extremamente limpa, não há nenhuma mendicância e nem miséria. Há sim muita propaganda do governo e muitos cartazes com o rosto de Ho Chi Minh, a exemplo do que acontece com Che, Camilo e Fidel em Cuba.
Quando chegamos no “nosso apartamento, um pedaço de Saigon”, o Glauco me “disse adeus no espelho com batom”. E rumamos ao turismo em tempo recorde (só tínhamos a tarde e noite). Difícil tarefa, pois além das muitas coisas pra ver, Ho Chi Minh é cheia de cafés bem legais e charmosos, que são bem atraentes. Pra mim, então, que adoro café... (agora é o Glauco novamente, óbvio!) O café vietnamita é muito bom e um orgulho nacional. Outra coisa que o Vietnam tem muito é moto. Não grandes e potentes, mas aquelas pequenas, scooters, mobiletes (sim, mobiletes), motinhos 125cc... É impressionante o tanto de motinhos. Elas estão em todos os lugares, andam nas calçadas, pela contra-mão. Bom, não deu para entrarmos na Notre Dame, cuja fachada é maravilhosa, pois estava fechada pra almoço. Fomos então ao Palácio da Unificação. Na entrada, dois tanques vietcongues que invadiram o Palácio decretando o fim da guerra e um helicóptero do mesmo modelo usado num bombardeio ao Palácio.
De lá, depois de esperar quase uma hora a chuva passar, seguimos para o Museu da Guerra, que é basicamente dividido em três partes: 1) manifestações internacionais contrárias à guerra (documentos, cartazes, fotos e demais materiais de muuuuitos países ao redor do mundo – não vimos nada do Brasil – contrários à guerra); 2) a guerra, sua crueldade e suas consequências (extermínios em massa, massacre de crianças e mulheres, torturas, uso de armas químicas), bem diferentes das descritas nos filmes de Rambo e Bradock; 3) a reconstrução do Vietnam, desde a infra-estrutura até a moral e espirito nacionalista do país.
As cenas foram muito fortes, especialmente na parte referente às armas químicas – agente laranja. São cenas que nem o pior dos filmes de terror exibiria. Claro que deve ter havido tortura por parte dos vietnamitas do norte. É claro que deve ter havido exagero por parte dos comunistas... mas isso ficou restrito aos campos de batalhas e aos soldados. Já os americanos usaram e abusaram de crueldade e armas químicas contra civis, fossem crianças, velhos e mulheres. É impossível sair do museu sem pensar, sem refletir, sem desejar que isso não tivesse acontecido. Saimos de lá e ficamos andando meio a esmo, até voltarmos à normalidade. Passeamos por umas ruas no centro com muitos bares, cafés, galerias e lojas.
À noite jantamos novamente uma comida fantástica e visitamos outro ponto muito legal, que deve ser visitado, que é o bar Saigon Saigon, que fica no hotel Caravelle, tradicional hotel da cidade. É um bar bastante característico. Que serviu de posto de comando para americanos e jornalista que cobriam a guerra.
Em síntese, apesar da destruição, das guerras, das ocupações, dos massacres (pra se ter uma ideia, durante a ocupação japonesa, fora exterminados mais de 10% da população vietnamita por fome) e da ditadura socialista instalada, o país é pungente, as pessoas felizes, as coisas organizadas, bem cuidadas. Vale MUITO A PENA conhecer o Vietnam, por incrível que pareça!!!

4 comentários:

  1. Iraaadooo... eu vou fazer todas essas viagens com certeza!!!
    Agora, curtem ai, quem disse que Bsb não tá com tudo...
    http://www.correiobraziliense.com.br/app/galeria-de-fotos/2012/10/05/interna_galeriafotos,3770/5-10-confira-as-imagens-das-obras-expostas-de-caravaggio.shtml
    (link pra exposição do Caravaggio no Palácio do Planalto)
    hahah.... Abraço

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  2. Negão>>>
    Você ficou parecido com aqueles pilotos de helicóptero dos filmes!!!
    Hahaha!!!
    Abraços!!!

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  3. Amiga, amei. Nao vejo a hora de Começar a explorar essa parte do mundo. Beijos

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  4. Vcs estão arrasando nos posts! E como eu já disse, se completam! Comecem a pesquisar, o que e onde são as coisas imperdíveis de se fazer por aí! Preciso saber tb qt custa e quanto tempo preciso ficar por aí! Ah! E claro! Descubram qd vão conseguir uma folguinha pra ter certeza que curtiremos algo juntos!
    Saudades dos dois!

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