sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Os Chinas - parte 1





Olá queridos do outro lado do mundo. Estivemos um pouco ausentes nestes últimos três dias, pois, além de corrermos muito para comprar móveis, TVs, e descobrir lugares para tais compras, nos silenciamos um pouco com a perda da avozinha do Glauco, dona Isaura, pessoa extremamente cativante e uma das melhores cozinheiras que já conheci, disparado.



Este tempo também nos rendeu uma margem maior de observação dos representantes desta nação tão curiosa. Primeiramente devo esclarecer que colocaremos todos sob o vocativo Chinas, sem distinção de cantoneses e chineses (no futuro se observarmos alguma diferença postamos aqui). Os chinas são sim alguns dos seres mais simpáticos e sorridentes que existem mas, como também tivemos a mesma impressão na Índia, talvez esta seja uma característica dos Asiáticos. Eles têm um jeitinho meio tímido, meio “desculpe se minha existência te incomoda” (sem nenhuma ironia), que os torna geralmente muito gentis. É claro que alguns, especialmente aqueles não satisfeitos com seus empregos, não são tão simpáticos assim. É este tipo de existência (ou talvez a real falta de espaço em suas casas e cidades) que os torna muito pouco expansivos, com movimentos pequenos e controlados. Eu, que mexo pouco os braços para andar e falar, já esbarrei em vários, e eles se irritam muito com isso. Esta atitude de ter sempre os braços perto do corpo pode gerar algo bem estranho que não é tão incomum por aqui: andar com os braços parados! Outro movimento que também deve vir desta vida de contenção e subserviência é sempre entregar algo para alguém com as duas mãos e de cabeça baixa. Parece absurdo isto, mas nós nos certificamos que em 100% das vezes que alguém foi dar algo pra gente o fez sempre com as duas mãos e cabeça baixa, como em uma oferenda para alguém mais importante. (olha que recebemos muuuuitos cartões de visita das diversas lojas que visitamos) Esta humildade é linda, e queria muito que fosse incorporada em mim desde o berço, porque andei treinando isso e parece completamente forçado, exagerado e com um propósito errado. Pois então, geralmente quando um china sorri dá vontade de pedir pelo amor de Deus foque na higiene bucal. Os dentes são horrorosos! Já na Índia chamávamos de “dentes de arenito” (a pedra mais usada por eles nas construções), e aqui é dente de jade. Verde, amarelo, torto, sartando pra fora, Jesus por favor aja na causa! Compramos um pequeno guia da cidade muito engraçado que diz que devemos aprender somente estas 3 coisas em cantonês: 1- bom dia (ainda não aprendi), 2- obrigado (algo como mngantsai) e 3- “Nossa o que você engoliu que parece que algo morreu dentro da sua boca!” kkkkkkk é isso ai! Quando os chinas falam inglês você continua ouvindo cantonês, é impressionante. Às vezes demora um tempo pra processar que a pessoa está falando uma língua que deveríamos compreender e não o impossível idioma deles. Isso cria algumas boas anedotas como esta que o Glauco deixou rolar até o final só para ter um bom motivo pra rir: Eu viro pra garçonete depois que minha comida chegou sem o tão esperado nan (pão indiano): _Hi, can I have some nan TOO? E ela: _TWO? E eu: _Yes! Um tempo depois chegam duas cestas repletas de nan que nem em uns 5 dias conseguiríamos comer. Preciso registrar que o Glauco sabia disso mas não disse nada só para não perder a piada. É que ele também já pagou caro por falar aquele “sim” automático, usado só para facilitar a comunicação, mas estas são outras histórias...

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